Somos amantes da teledramaturgia. Respeitamos a arte e a criação acima de tudo. Nosso profundo respeito a todos os profissionais que criam e fazem da televisão essa ferramenta grandiosa, poderosa, que desperta os mais variados sentimentos. Nossa crítica é nossa colaboração, nossa arma, nosso grito de liberdade.



ENTREVISTAS EXCLUSIVAS

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quinta-feira, 31 de maio de 2012


 









Saturday Night Live Brasil faz estreia tímida na Rede TV!

por Guilherme Staush





Estreou no último domingo, na Rede TV, o Saturday Night Live Brasil, sob comando do polêmico humorista Rafinha Bastos (ex-CQC). O programa não emplacou em seu primeiro domingo, amargando menos de um ponto na audiência. Pelos comentários dados pelos seguidores de Rafinha nas redes sociais, a atração não foi devidamente divulgada pela Rede TV. Muitos não sabiam da data da estreia, e perderam o programa. De fato, a emissora pecou por não anunciar seu produto. Nem mesmo o próprio humorista fez uso das redes sociais para divulgar o programa de forma mais agressiva.

O programa abriu com uma paródia ao “O Que Vi da Vida” de Xuxa, quadro feito pelo Fantástico, exibido há dois domingos, e que teve uma repercussão enorme nos dias que o sucederam. A atriz Renata Gaspar fez o papel da “rainha dos baixinhos”, e entre outras coisas, largou a pérola: “casei com o Pelé, posei pelada, fiz um filme semipornô e, depois, me mandaram fazer programa infantil...”.

Rafinha se saiu bem nos números de stand-up, não poupando nem mesmo a emissora para a  qual está trabalhando, fazendo uso do humor politicamente incorreto, sua marca registrada. O apresentador aproveitou a estreia do programa para fazer um pedido de desculpas por ter “detonado” celebridades como Ronaldo (Fenômeno) e Preta Gil. Claro, um pedido de desculpas feito a sua maneira, com muito humor e ironia, o que rendeu um dos melhores momentos da atração. Já as esquetes produzidas com o auxílio do elenco fixo do programa não empolgaram, e necessitam ser reavaliadas pela produção do programa com urgência, pois destoam completamente do tipo de humor feito pelo apresentador do programa.

A convidada musical do primeiro programa foi Marina Lima, que cantou as músicas “Lex”, e o antigo sucesso “Pra Começar”. A cantora mostrou que está em ótima forma (tanto física quanto musical).

Resta saber se o programa vai conseguir emplacar e pelo menos conseguir fazer algum barulhinho na disputada audiência dominical.



sábado, 26 de maio de 2012

Existe dramaturgia fora da Globo?
Record padece para concorrer com a emissora-líder

por Duh Secco




Mulheres de Areia, Os Imigrantes,
Pantanal e Éramos Seis: sucessos
fora dos domínios globais.
A telenovela nasceu com a televisão. O sucesso dos folhetins com o público brasileiro vem desde os primórdios da TV no Brasil. A Globo, com seu ritmo industrial muito bem amparado em sua preparação artística e técnica, é, sem dúvida, o grande expoente deste setor. Mas não, a emissora nunca esteve sozinha nessa. Nos anos 70, disputou a audiência com a Tupi, que levou ao ar a primeira versão de Mulheres de Areia, de Ivani Ribeiro. Na década seguinte, a Band contratou Benedito Ruy Barbosa, que escreveu Os Imigrantes. E no início dos anos 90, o fenômeno Pantanal, na Manchete, abalou o poderio global. E logo depois, o SBT produziu Éramos Seis, outro sucesso fora dos domínios do Projac. Entretanto, todas essas tramas, excetuando os trabalhos da Tupi, foram tentativas isoladas de se consolidar um departamento de dramaturgia capaz de fazer frente às novelas da Globo. Até que em 2004, a Record resolveu entrar nesse meio.

Após produções bem sucedidas, a emissora da Barra Funda mergulhou em uma crise que atinge agora, com Máscaras, o seu ápice. A novela de Lauro César Muniz é a de menor audiência da emissora, desde que se iniciaram os investimentos em dramaturgia. A trama, de fato, tem mais erros do que acertos, mas não pode ser considerada a única culpada pelos baixos índices registrados.


A turma de Rebelde: repercussão se esvaiu
com as constantes alterações de horário.
O grande erro da dramaturgia da Record é o mesmo que a impede de fortalecer sua programação como um todo: o desrespeito com o telespectador e a falta de comprometimento com a grade de programação. Os executivos da emissora simplesmente ignoram um dos princípios básicos de uma boa grade, aquele que diz respeito ao fluxo de audiência de uma atração para a outra. É algo seguido pela Globo desde o início das operações da emissora: novela das 18h, jornal local, novela das 19h, Jornal Nacional e novela das 20h (hoje, 21h). As alterações de horário derrubaram a novela Rebelde, que conquistou seu público, mas não pode fisgá-lo diante das inúmeras mudanças pelas quais seu horário já passou. Na última delas, cedeu parte de seu horário ao SP Record, telejornal local que não permaneceu mais do que dois dias no ar.


Heitor Martinez e Nicola Siri, em
Vidas Opostas e Máscaras.
Máscaras também não tem um bom apoio. A novela padece com a reprise de Vidas Opostas, que a antecede. A obra de Marcílio Moraes, uma das primeiras a explorar a temática violenta que permeia quase todas as novelas da Record, se encerrou como um dos maiores sucessos da emissora. Mas não emplacou em sua reprise e ainda prejudica a novela de Lauro César Muniz, não só pela temática similar, como pelo elenco repetido nas duas produções. É cansativo ver Heitor Martinez, independente do bom trabalho apresentado pelo ator, interpretando dois bandidos, em tão curto espaço de tempo, bem como Nicola Siri como um galã arrebatador. A solução, ou não, pode ser o reality A Fazenda, programado para estrear na próxima terça, justamente no horário em que Máscaras ocupa atualmente.


Gisele Joras: responsável pela ingrata
missão de levantar o horário.
O trabalho exaustivo que a Record impõe a seus autores, com a longa duração de seus trabalhos, também é um complicador. Basta ver a queda de qualidade de Rebelde, que ganhou uma segunda temporada, após o bom desempenho da primeira. O mesmo já havia acontecido com Caminhos do Coração, que deu origem a outras duas produções do mesmo gênero, e terminou no mais completo esgotamento, tanto de sua equipe, como do telespectador, que abandonou a trama durante seu desenrolar. O alto número de capítulos pode servir como arma da emissora para mascarar a sua falta de planejamento, algo que também joga contra ela. Se o núcleo de dramaturgia fosse mais organizado, Máscaras poderia ter sua duração reduzida e ceder espaço a outra produção. Seria assim na Globo, que já tem sua fila de autores organizada e diversas sinopses aprovadas. Na Record, a autora substituta de Máscaras, Gisele Joras, ainda não delineou sua próxima trama.


É em Lauro e em sua equipe (o co-autor Renato Modesto e os colaboradores João Gabriel Carneiro, Mariana Vielmond e Mário Viana) que Máscaras tem o seu maior trunfo, no momento. Em entrevista ao colunista Daniel Castro, na sexta, o autor declarou que vê como positiva a mudança de horário e revelou que está operando alterações na trama, passando a investir em ação. É o que o público da Record gosta, já que a emissora, ao insistir nessa temática, condicionou seus telespectadores. Mais um dos muitos erros pelos quais Máscaras está tendo que pagar.


Em tempo

Carrossel: a grande responsável pelo bom momento do SBT.
O SBT, após muitos anos, está investindo na produção continuada de suas novelas. Carrossel, sucesso mexicano exibido por aqui nos anos 90 e agora adaptada por Íris Abravanel, estreou ontem com números expressivos, na casa dos dois dígitos. A novela padece com a produção, que investe em um excessivo colorido, talvez necessário para conquistar a criançada. Detalhes de cenografia, como os desenhos feitos pelas crianças, visivelmente imprimidos, incomodam, mas não comprometem. O elenco no geral está bem, apesar da insegurança de algumas crianças, dentre elas, Jean Paulo Campos, o intérprete de Cirilo, um dos personagens mais marcantes da história original. O texto se assemelha ao original mexicano, trazendo frases, por vezes, enfadonhas. A agilidade das ações, entretanto, é um ponto positivo, que pode conquistar os pequenos telespectadores, acostumados a agilidades do mundo moderno. Os efeitos de passagem de cena, bem como outros atrativos visuais, semelhantes ao que foram inseridos na hora da chamada, também servem como chamariz para o público infantil. Por último, a direção, que era de Del Rangel e passou para Reynaldo Boury durante as primeiras gravações, precisa se atentar para o ritmo dos diálogos e marcações em cenas. Algumas sequências do primeiro capítulo se assemelhavam a teatrinho escolar, com atores perdidos em cena. Um bom produto que necessita de pequenos retoques para se tornar ainda mais competitivo.



quarta-feira, 23 de maio de 2012











O que vimos de Xuxa

por Guilherme Staush



O depoimento dado pela apresentadora Xuxa Meneghel no último domingo, no Fantástico, no quadro “O que Vi da Vida”, continua repercutindo bastante nas redes sociais da internet.  A eterna “rainha dos baixinhos” surpreendeu os telespectadores ao declarar que sofreu abuso sexual até os 13 anos de idade, entre outros depoimentos menos polêmicos. Os fãs da apresentadora postaram milhares de mensagens prestando solidariedade a sua eterna musa. Por outro lado, aqueles que não cultivam nenhum tipo de afetividade por Xuxa, viram o tal depoimento com outros olhos. Posso dizer que me encaixo nessa segunda categoria de telespectadores. Primeiramente, porque quando Xuxa foi eleita (sabe-se lá por quem) “a rainha dos baixinhos”, eu, de baixinho, não tinha mais nada. Portanto, não cresci vendo os programas televisivos de minha conterrânea,  não compartilhei da moda criada pela apresentadora e tampouco cantarolei “Ilariê” nas festinhas com os amigos. Segundo, porque diferente de muitos, não vejo qualquer atributo na apresentadora que possa justificar seu mega-sucesso que já dura quase 30 anos desde sua estreia na emissora de Adolpho Bloch: não canta bem (para alguém que vendeu milhões de discos),  não faz entrevistas profundas e inteligentes, e está longe de ser uma boa atriz. Mas, uma rainha nunca perde sua majestade, e os fãs estão pouco se importando com os quesitos artísticos da loira, o que importa é o lado carismático, afetivo e até materno que Xuxa conseguiu dissipar entre seus milhões de seguidores. Afinal, quem vê coração não precisa nem escutar a voz.

Entretanto, algo de muito estranho ronda os depoimentos feitos pela apresentadora da Globo no último domingo. Há quem pense que Xuxa estaria aplicando um golpe de mídia, já que seus últimos programas na emissora carioca não conseguiram emplacar. Ou então, que estaria simplesmente querendo fortalecer a campanha contra a pedofilia no país. E, se este for o caso, apenas por isso o depoimento já foi válido. Mas que fique bem claro: a pedofilia é um mal que precisa ser extirpado de nossa sociedade com ou sem o depoimento dela. Afinal, o fato de que Xuxa sofreu abuso sexual na infância não faz com que este problema seja nem mais e nem menos grave. 

Talvez a surpresa que alguns telespectadores tiveram reside não exatamente na declaração em si, mas em quem a fez e nas razões pelas quais as fez.  Xuxa nunca foi um modelo a ser seguido (e acredito que nem ela pretenda isso)  seja por crianças, adolescentes ou mesmo adultos. Sua trilha rumo ao sucesso está repleta de atitudes duvidosas que a própria apresentadora fez questão de esconder ao longo desses anos, como as fotos que fez para revistas masculinas ou sua participação no famigerado filme Amor Estranho Amor, de  Walter Hugo Khouri, onde Xuxa aparece seduzindo um garoto de 12 anos, ou mesmo sua questionável relação com o ídolo Pelé, que a ajudou a ganhar notoriedade. Mesmo depois de virar apresentadora, o comportamento de Xuxa sempre foi bastante questionado. Por diversas vezes sofreu acusações de estar erotizando as crianças brasileiras, que imitavam a apresentadora no modo de vestir, falar, e se comportar.

Além do polêmico depoimento, Xuxa também falou sobre sua única e verdadeira paixão, o ídolo brasileiro Ayrton Senna, e sobre os momentos que passou ao lado de Michael Jackson, um dos maiores ídolos da música no mundo . Coincidentemente os dois estão mortos e jamais poderão questionar qualquer coisa que tenha sido dita pela apresentadora. Quanto a Luciano Szafir, o homem que Xuxa escolheu para ser o pai de sua filha, não houve , sequer, uma única declaração.

Afinal, o que vimos de Xuxa? A bravura de uma mulher que teve a coragem de fazer uma declaração tão pessoal para ajudar a combater a pedofilia no país, um golpe de marketing com o aval da Rede Globo para ajudar a levantar a carreira da apresentadora e, ao mesmo tempo, comover seus fãs? Ou seriam as duas coisas? 



sábado, 19 de maio de 2012



P A U L O    
   B E T T I






Ator e diretor consagrado no cinema, teatro e televisão, Paulo Sérgio Betti iniciou sua carreira como um dos fundadores do “Pessoal do Victor”, um grupo de teatro experimental formado por alunos da EAD/USP, nos anos 70. Na televisão, estreou no sucesso Os Imigrantes, da Band, em 1981, além de colecionar personagens de sucesso, como o tímido Marco, de Vereda Tropical; o engraçado Timóteo D’Alembert, de Tieta; o malandro Carlão, de Pedra Sobre Pedra; o prefeito Ipiranga Pitiguary, de A Indomada, e o paranormal Joãozinho de Dagmar, de O Fim do Mundo, entre outros. No cinema fez personagens históricos, como o Barão de Mauá e o líder revolucionário Carlos Lamarca.

Paulo engrandece ainda mais a galeria de entrevistados do "Agora", nos concedendo uma entrevista onde fala sobre seus trabalhos na TV, política, cinema e teatro.

O ator integra o elenco da peça "Deus da Carnificina - Uma Comédia Sem Juízo", que será encenada em Paulínia (SP), nos dias 25 e 26 de maio, no Theatro Municipal.



ENTREVISTA EXCLUSIVA
 


Eduardo Secco pergunta

1.  Você atuou como produtor e diretor do filme Cafundó, em 2005. Como foi esta empreitada? Planeja outras investidas no gênero? As leis de incentivos fiscais aprovadas recentemente facilitaram o trabalho dos produtores de cinema?

Pôster do filme Mauá -
O Imperador e o Rei (1999).
Acho que fazer o filme foi uma missão. Sou devoto de João de Camargo, que é o personagem principal do filme, e também queria contar um pouco a história dos escravos em Sorocaba, com o enfoque da história da cidade. Foi um grande aprendizado. Cinema não é fácil, mas penso em fazer outros filmes.





Eduardo Secco pergunta

2.  A Vida da Gente, seu mais recente trabalho na TV, se firmou como uma das novelas mais “femininas” de todos os tempos. As mulheres dominavam a ação durante todo o tempo e os personagens masculinos ficavam a mercê das atitudes tomadas por elas. Qual o seu balanço final de A Vida da Gente e de Jonas Macedo, seu personagem? Acredita que a TV brasileira oferece possibilidades mais interessantes às atrizes do que aos atores?

Nossas novelas têm muita qualidade. Os jovens são privilegiados, mas os mais velhos são necessários para segurar a onda, e depois, eles existem também na realidade, não é? A Vida da Gente tinha um enfoque feminino, e eu adorei meu papel. A novela foi muito bem escrita e revelou uma nova autora: Lícia Manzo.


Paulo Betti com Regiane Alves em "A Vida da Gente" (2010/2011).


Guilherme Staush pergunta

3.  Você é um dos atores mais atuantes, politicamente falando, e sempre fez campanha para o ex-presidente Lula. Enquanto nas eleições presidenciais de 89, algumas atrizes como Marília Pêra e Cláudia Raia foram “metralhadas” pelo público por apoiarem a candidatura de Fernando Collor, você, por outro lado, fez campanha pro PT, apoiando um candidato que não era exatamente o preferido pela Rede Globo, emissora para a qual você trabalhava na época. Acredita que, em algum momento, sua carreira na televisão pode ter tido algum prejuízo em virtude de sua militância política? De que forma você acha que um comprometimento político pode interferir na carreira de um ator?

Não sei se minha carreira teve algum prejuízo por causa das minhas posições políticas. Fiz o que achava que devia ser feito. Nossa vida e carreira se misturam. Gosto de ser militante, hoje muito mais culturalmente do que político. Me orgulho de minhas escolhas e é inegável, apesar de todos os erros cometidos, que o Brasil melhorou muito. Hoje somos uma potência mundial, mas muita coisa eu condeno e acho que devemos melhorar ainda bastante. Sempre é preciso mudar, mover pra diante.

Paulo Betti com o ex-presidente Lula, em campanha presidencial (1994).


Eduardo Secco pergunta

4. Você tem uma extensa carreira no teatro, marcada por textos consagrados. Entretanto, o grande público associa à sua imagem os tipos apresentados na TV. O que falta, nos dias de hoje, para aproximar o público do teatro?

As peças boas sempre têm público. Teatro é insubstituível, uma experiência única e inesquecível para o bem e para o mal. Quando se assiste uma peça boa, não se esquece jamais; quando ela é ruim, dá vontade de morrer. A televisão sempre vai marcar os atores, pois ela é vista pela grande massa. Teatro é artesanato.


Com o elenco da peça "Deus da Carnificina - Uma Comédia Sem Juízo".



Guilherme Staush pergunta

5.  Em 2004, você participou de Metamorphoses, uma produção da Rede Record em parceria com a Casablanca. Foi uma novela com uma ideia inicial bem interessante e inovadora, mas que acabou afundando, principalmente por decorrência da troca de autores. Você era um dos grandes nomes do elenco da produção. Procurou interferir de alguma forma quando percebeu que a novela estava tomando outros rumos? De que forma todos esses problemas repercutiram nos bastidores ?


Paulo Betti na novela
"Metamorphoses" (2004)
Metamorphoses teve um elenco fabuloso. Um foi aceitando por causa do outro, e eles reuniram Miriam Muniz, Gianfrancesco Guarnieri, Zezé Motta, Joana Fomm. Tinha até o Rodrigo Lombardi! Mas a direção e os autores e produtores não se entenderam. O tema da novela era bom, mas o autor Mário Prata saiu, Tizuka Yamasaki, a diretora, também não conseguiu conduzir a história. Tentamos fazer reuniões para dar palpites, estávamos unidos, mas depois percebemos que eles não iam nos ouvir e desistimos. Fizemos o que pudemos. Mas, de qualquer maneira, serviu para iniciar o trabalho da Record nas novelas.



Guilherme Staush pergunta

Paulo com Tássia Camargo em
"Tieta" (1989).
6.   Timóteo (Tieta), Carlão (Pedra Sobre Pedra) e Ipiranga (A Indomada) são alguns de seus personagens mais populares na TV. Fazendo um balanço de sua carreira televisiva, você acha que Aguinaldo Silva foi quem lhe proporcionou os melhores personagens?


Sem dúvida, Timóteo é o principal personagem que fiz na televisão em novelas. Em minissérie foi o juiz Odorico, de Engraçadinha – Seus Amores e Seus Pecados. Tive excelentes papeis em novelas. A televisão sempre foi generosa comigo, mas o cinema foi ainda mais. Me deu o Barão de Mauá, Ed Mort e Lamarca.

Paulo com Alessandra Negrini na minissérie "Engraçadinha - Seus
Amores e Seus Pecados" (1995).




BATE-BOLA   c o m   Paulo Betti


Uma novela inesquecível:  Estúpido Cupido foi uma que assisti inteira e adorei, o elenco, a história, a época. Gostava também das novelas de Dias Gomes.


Um filme para rever sempre:  Amarcord, de Fellini.


“Os Imigrantes” : minha primeira novela, saudades...


Política: consciência, xadrez, fazer o possível para mudar, escolher o melhor.


Uma novela para esquecer:  não lembro.


Dou um presente para:  todos os que se envolvem e não são cínicos.


Dou um castigo para:  os corruptos que roubam do leite das crianças, das obras sociais, e que se aproveitam das tragédias para ganhar dinheiro, não merecem perdão.

Cinema brasileiro:  nossa memória, de nossas histórias, de nossas paisagens, de nossas cidades, de nossa gente e identidade. Valoroso!





***




quarta-feira, 16 de maio de 2012













Nosso amigo Daniel Freitas retorna ao blog com mais um texto. Dessa vez, ele faz uma comparação entre duas tramas do horário das 9: a atual Avenida Brasil, de João Emanuel Carneiro, e sua antecessora, Fina Estampa, de Aguinaldo Silva.




O avesso do avesso no horário das nove

por Daniel Freitas



Nunca consegui entender o sucesso de Fina Estampa. Pensei em desistir da novela logo nos primeiros capítulos, mas acabei acompanhando boa parte da trama, o suficiente para me questionar a todo o tempo: como uma novela sem pé nem cabeça teve tanta audiência? A pergunta jamais se calou. Com Avenida Brasil, no ar desde o final de março, ocorreu o oposto. Pelas chamadas da Globo, já estava decidido a não ver, por imaginar que a nova trama de João Emanuel Carneiro seria tão pesada quanto A Favorita. Felizmente, eu me enganei! Não resistindo a dar uma espiada no primeiro capítulo, passei a acompanhar todos os outros, com a grata surpresa de estar diante de uma história consistente, com as situações inverossímeis, típicas de qualquer folhetim, na medida certa.


















O que me faz gostar da nova novela das 8 é justamente o que ela tem de contrário à trama de Aguinaldo Silva. De cara, a vilã interpretada por Adriana Esteves parece ser alguém de carne e osso, movida pela ambição, com atitudes condizentes com aquilo que almeja. Em Carminha, a perversidade convive bem com seu lado faceiro, que a torna até engraçada em alguns momentos. Já a Tereza Cristina (Christiane Torloni) de Fina Estampa foi inicialmente apresentada como uma mulher cômica, sem juízo, mas que logo começou a praticar maldades sem motivo aparente, levada por uma raiva mal explicada pela protagonista Griselda. Assassina inescrupulosa ou simplesmente uma doida varrida? Não deu pra entender. 



 
Em Avenida Brasil, a expectativa do público está voltada para a vingança de Nina / Rita (Débora Falabella), que tem suas raízes na infância sofrida com a madrasta. Em torno desse ressentimento, a protagonista irá nortear sua conduta, passando por privações e abrindo mão até mesmo de Jorginho (Cauã Reymond), o grande amor de sua vida – por um certo tempo apenas, naturalmente. Na antecessora do horário, a história girou em torno de um segredo maluco, que sequer ficou explicado. Tanto suspense transformou-se em decepção, fazendo da Tia Íris (Eva Wilma), a detentora do tal segredo, uma personagem que nadou, nadou e morreu na praia. E quando finalmente veio a revelação, nada houve para Tereza Cristina, que ressurgiu às gargalhadas no fim.           


Fina Estampa era recheada de núcleos dispensáveis, como a turma do vôlei na praia, e pouco interessantes, como o da médica Daniele Fraser (Renata Sorrah), que nem de longe provocou o rebuliço esperado. Sem falar nos personagens que mal faziam diferença, como a Zuleica, de Juliana Knust. Talvez para evitar esse tipo de problema, João Emanuel Carneiro reduziu seu elenco a pouco mais de 30 atores, centralizando a novela, literalmente, no núcleo de Tufão (Murilo Benício) e Carminha, de onde se ramificam os outros, inclusive o de Nina. Fora daí, os demais personagens vivem histórias sem muito peso ou relevância. São coadjuvantes mesmo, no sentido real da palavra. 





O elenco enxuto, contudo, não livra Avenida Brasil dos percalços. Algumas tramas paralelas não despertam grande interesse, como a relação entre Monalisa e Silas (Heloisa Perissé e Ailton Graça). Até mesmo a briga entre Leleco e Muricy (Marcos Caruso e Eliane Giardini), cada qual com seus pares mais jovens, tinha tudo para ser engraçada, mas já está cansando. Mais interessante é acompanhar as estripulias da divertida Suellen (Ísis Valverde) com os rapazes da novela – Daniel Rocha, Bruno Gissoni, Emiliano Dávila e Thiago Martins. Classuda no melhor estilo piriguete, Suellen deixa suas concorrentes no chinelo, a exemplo de Natalie Lamour (Déborah Secco) de Insensato Coração, e também a Teodora (Carolina Dieckmann) de Fina Estampa.






Se a personagem de Ísis Valverde faz a diversão em Avenida Brasil, tal papel coube ao Crô em Fina Estampa. Confesso, porém, que nunca morri de amores pelo Crodoaldo Valério. Nada contra a atuação de Marcelo Serrado, que se consagrou com a interpretação (embora alguns críticos tenham dito que ele estava acima do tom), mas me incomodava mais um personagem gay em novelas ser ridicularizado e humilhado em todos os capítulos e todo mundo achar aquilo engraçado. Me parecia muito fácil as pessoas se denominarem moderninhas e sem preconceito desde que tudo ficasse em seus devidos lugares: o gay afetado sempre no ridículo. Mas enfim, se a intenção era cair nas graças do público, o objetivo foi alcançado.    
  

Assim como em Fina Estampa, que deixou de lado a zona sul do Rio de Janeiro e fez da Barra da Tijuca o seu principal cenário externo, a opção do autor de Avenida Brasil foi ambientar a novela no subúrbio carioca, longe da praias e das ruas sofisticadas de Copacabana, Ipanema e Leblon. Na atual trama das nove, os protagonistas são pessoas do povão, com dinheiro no bolso, mas sem nenhum requinte. Falam alto, conhecem pouco de cultura, moram numa mansão de decoração brega e cultivam hábitos pouco refinados. Nada de família rica, com a matriarca no comando de empresas e os filhos retornando do exterior ou selando casamentos pomposos com herdeiros de outras famílias ricas.





Preenchem essa lacuna os personagens de Alexandre Borges, Débora Bloch, Camila Morgado e Carolina Ferraz. Moradores da zona sul do Rio, o quarteto, porém, é de meros coadjuvantes, como já dito, que vivem uma situação nada original em folhetins – a infidelidade conjugal, que em novela, assume ares de galhofa. Já em Fina Estampa, o público se deparou com duas situações distintas: uma família milionária foi desmantelada pelas loucuras de Tereza Cristina (o marido e os dois filhos saíram de casa), enquanto outra, de origem humilde, foi agregando novos adeptos – os pares dos herdeiros de Griselda e os filhos de sua inimiga. E talvez esse tenha sido um dos (poucos) méritos da novela de Aguinaldo Silva: retratar uma protagonista com o coração aberto como a vivida por Lília Cabral.      


Na medição verificada pelo IBOPE, Fina Estampa registrou, em seu primeiro mês de exibição, audiência maior do que a verificada em Avenida Brasil entre o final de março e o mês de abril. Continuo sem entender a razão do sucesso, mas como as águas já são passadas, melhor se concentrar na trama atual, que se mantiver o ritmo demonstrado até agora, tem tudo para seguir como um novelão, em sintonia com o pique vibrante da música de abertura. 


quarta-feira, 9 de maio de 2012













por Duh Secco



Amor Eterno Amor, atual cartaz das 18h, reúne elementos do último trabalho da autora, Elizabeth Jhin. Estão presentes na trama a temática espírita de Escrito nas Estrelas, e núcleos similares ao desta novela, como os personagens do subúrbio reunidos em um único local (antes uma vila e agora um condomínio), profissionais de saúde, uma criança com poderes mediúnicos, e uma vilã interessada na fortuna de seus parentes. Entretanto, a semelhança com a trama de sucesso não é o suficiente para fazer de Amor Eterno Amor uma novela agradável. Apesar da direção segura de Pedro Vasconcelos e Rogério Gomes e do elenco competente, a trama se arrasta em meio aos poucos apelos. Convém ressaltar, entretanto, a presença de Osmar Prado como Virgílio, mais um dos tipos brilhantemente criados pelo ator, e de Cássia Kiss Magro, segura com Melissa. A trama central, conduzida por Míriam (Letícia Persiles) e Rodrigo (Gabriel Braga Nunes) já aponta para uma direção, na resolução de um mistério que permeia a trama desde o início: por onde anda Elisa, o grande amor da vida do protagonista? Ao que tudo indica, Elisa já reencarnou e agora é ninguém menos do que Míriam, com quem Rodrigo está envolvido. A aparição de uma provável falsa Elisa (Mayana Neiva) promete acentuar os conflitos da novela e tirá-la do marasmo dos últimos capítulos.


Estreando como titulares, Filipe Miguez e Izabel de Oliveira apresentam ao público uma novela das 19h como há muito não se via. Cheias de Charme mergulha de cabeça no atual cenário musical brasileiro, dando um tom popularesco para a saga de Penha (Taís Araújo), Rosário (Leandra Leal) e Cida (Isabelle Drummond). As três atrizes estão se saindo bem, mas Taís Araújo tem roubado a cena com os trejeitos que incorporou à personagem. Marcos Palmeira como Sandro e Malu Galli como Lygia garantem boas cenas ao lado de Taís, o que faz do núcleo de Penha o mais interessante da novela em seu atual momento. Também vale ressaltar a abordagem da nova música brasileira, surgida em estúdios improvisados, como o de Cleiton (Fábio Neppo), onde Rosário costuma gravar suas composições. A relação de Rosário com Sidney (Daniel Dantas), seu pai adotivo, também é bonita de se ver. A direção tem dado um brilho extra às sequências de shows envolvendo Fabian (Ricardo Tozzi) e Chayene (Cláudia Abreu). Esta, aliás, tem sido o grande destaque da trama. Isabelle Drummond é a protagonista da trama romântica clássica da novela, mas não tem tido um bom retorno de seus companheiros de cena, Jonatas Faro (Conrado) e Gisele Batista (Isadora). Vale ressaltar ainda o bom trabalho de Alexandra Ritcher (Sônia) e da estreante Titina Medeiros (Socorro).


No horário mais nobre da programação global, Avenida Brasil vem tirando o fôlego dos que acompanham a novela de João Emanuel Carneiro. Após um início arrebatador, a novela embarcou em capítulos mornos, mas voltou a prender o público com o sequestro de Carminha (Adriana Esteves). Nem mesmo o desfecho apressado da trama tirou a genialidade da mesma. As ardilosas armações de Carminha e Max (Marcelo Novaes) dominam a ação e encaminham Nina (Débora Falabella) no rumo de sua vingança. Mas se Avenida Brasil acerta no núcleo central, o mesmo não se pode dizer de suas tramas paralelas. Todo o núcleo do Divino é composto por tipos semelhantes, principalmente na ala jovem, formada por Roni (Daniel Rocha), Leandro (Thiago Martins) e Iran (Bruno Gissoni). O mesmo se pode dizer dos perfis das cabeleireiras Monalisa (Heloísa Perissé) e Olenka (Fabíula Nascimento). As características similares fazem com que os personagens levem o público à exaustão, já que as tramas dos mesmos não se desenvolvem a contento. Mas como para toda regra à exceções, convém ressaltar o bom desempenho de Marcos Caruso (Leleco), Eliane Giardini (Muricy), Juliano Cazarré (Adaulto), Otávio Augusto (Diógenes) e Ísis Valverde (Suelen). E também o desenvolvimento do quadrilátero amoroso que envolve Cadinho (Alexandre Borges), enrascado em sua teia de mentiras, na tentativa de impedir que duas de suas três mulheres, Verônica (Débora Bloch) e Noêmia (Camila Morgado) descubram a infidelidade do empresário.


Quem muda de canal após o término da novela das nove, se depara com Máscaras, na Record. Após um início promissor, que fez brilhar Miriam Freeland como a atormentada Maria, a novela se perdeu em meio ao desenrolar lento e mórbido de suas tramas. As acusações acerca do sequestro de Maria, que colocou Otávio Benaro (Fernando Pavão) e Martim Salles (Heitor Martinez) em choque e fez pairar no ar um intricado jogo nos primeiros momentos da novela, deu lugar a cenas de Otávio em depressão, constantemente ameaçado por seu cunhado. Ficou difícil torcer por um protagonista preso a uma cama. Assim como é difícil torcer pelas mulheres que formam o núcleo encabeçado por Valéria (Bete Coelho). Nos primeiros momentos da novela, todas se reuniam para dançar e falar de homens. Isso até Sônia (Bruna di Túlio) se revelar portadora de um câncer terminal. Sequências mórbidas fizeram piada com a “cantora careca”, em seus momentos finais e mesmo após sua morte, quando as amigas se esqueceram da urna com as cinzas da moça, que haviam prometido jogar no mar. Com todas as amigas no cruzeiro, o humor voltou a dominar a cena. Mas ver várias mulheres disputando um mesmo homem não me parece tão interessante quanto se pretendia ser. O texto de Lauro César Muniz, auxiliado por Renato Modesto e equipe, é bom, mas a direção capenga de Ignácio Coqueiro compromete muitas sequências. A iluminação é falha e muitas das cenas do navio foram comprometidas pelos efeitos ineficazes, como os que exibem o mar na janela das cabines. No capítulo de ontem, Otávio assumiu a identidade de seu cunhado, Martim. Parece que, enfim, Máscaras irá tomar uma direção.


Também na Record, todas as terças, temos Fora de Controle, nova série de Marcílio Moraes. Embora o roteiro esteja centralizado no delegado Medeiros, muito bem interpretado por Milhem Cortaz, os coadjuvantes também garantiram bons momentos ao episódio de estreia. Rafaela Mandelli está segura como Clarice; Alice Assef é sempre uma agradável presença; e Cláudio Gabriel se saiu bem como Brandão, responsável por proferir as maiores pérolas do primeiro episódio, como “minha mãe sempre disse que garoto com nome de anjo só dá dor de cabeça”, ao se referir a Gabriel (Bernardo Mendes), suspeito do crime abordado na trama. O roteiro é simples e eficaz e forneceu provas ao telespectador sem confundi-lo, fazendo com que este atuasse também como detetive. Um exemplo disso foi a cena, no segundo bloco, em que Antônio (Giuseppe Oristânio), padrasto da menina assassinada, pede ao delegado Medeiros (Milhem Cortaz) que arquive o caso. O telespectador mais atento certamente anteviu o desfecho do episódio ali. Destaque para os efeitos especiais e maquiagem, vistos na cena em que o corpo da menina é encontrado e, posteriormente, na perícia do mesmo. Enfim, uma boa opção em termos de série, fora da dramaturgia global.



sexta-feira, 4 de maio de 2012

S I L V I O 

de

A B R E U





Silvio de Abreu retorna ao blog Agora é Que São Eles. No ano passado, o autor nos concedeu uma entrevista (CLIQUE AQUI para ler) contando sobre seus diversos trabalhos na TV. Dessa vez, o autor fala com exclusividade ao Agora sobre seu próximo trabalho, o remake de Guerra dos Sexos, e conta as novidades sobre a trama e o elenco da próxima novela das 7. Confiram!



CONTEÚDO EXCLUSIVO


 por Guilherme Staush



1.   Em depoimentos dados para alguns sites, você contou que Charlô e Otávio (Irene Ravache e Tony Ramos) da Guerra dos Sexos atualizada serão sobrinhos de Charlô e Otávio (Fernanda Montenegro e Paulo Autran) da Guerra de 1983. Como será isso? Eles terão os mesmos nomes dos tios e viverão as mesmas situações deles? Será uma adaptação da Guerra original ou uma continuação da história?

O remake será exatamente como o original com algumas, digamos, licenças poéticas. Em 2012 Bimbo I e Charlô I morrem no inicio da trama e deixam a sua fortuna para seus sobrinhos homônimos e preferidos,  Bimbo II e Charlô II que, coincidentemente, têm os mesmos problemas de relacionamento que eles tiveram no passado e os mesmos gênios combativos e divergentes.  Junto com a herança vem a governanta da casa, que já servia Charlô e Bimbo primeiros, Olivia, que será interpretada pela mesma atriz da versão de 1983, Marilu Bueno. Através das lembranças dela sobre os antigos patrões será possível trazer de volta muitas cenas de Fernanda Montenegro e Paulo Autran. Sei que muitos fãs da novela dirão que na história original eles não tinham sobrinhos, que se a história se passa 30 anos depois, como pode os personagens, nomes e situações serem os mesmos etc e etc, mas isso tudo é irrelevante uma vez que estamos lidando com ficção e o que interessa é proporcionarmos um bom divertimento ao público.  

Tony Ramos e Irene Ravache serão os sobrinhos
homônimos de Charlô e Otávio na atualização de Guerra dos Sexos.


2.  Acredito que a antológica cena do café da manhã, quando os primos Otávio e Charlô dão a guerra por declarada, não poderá faltar no remake. Já escreveu a cena? Pode adiantar algo? Que outras cenas de impacto similar acha que não podem faltar nessa nova versão?

A cena já está reescrita e vai ter algumas surpresas para o público. Revendo a novela é surpreendente o número de situações divertidas em que os personagens são colocados. Não só Charlô e Otávio, mas todos os outros. Roberta Leone e Felipe de Alcântara, que foram Gloria Menezes e Tarcísio Meira e agora serão Glória Pires e Edson Celulari têm uma infinidade de situações inusitadas e divertidas que serão conservadas e modernizadas. Quando se fala da novela, a primeira cena que vem à cabeça do público é a da cena do café da manhã, o que não é de estranhar porque é a mais reprisada da história da televisão brasileira em todos os tempos, mas a novela vai muito além disso.   
  
"Bimbo" (Paulo Autran) e "Cumbuca" (Fernanda Montenegro) na
antológica cena da guerra no café da manhã, na versão original de 1983:
a cena de novela mais reprisada da TV!

3. Na original de 83, as personagens constantemente olhavam e falavam para a câmera, buscando uma forma de interação com o público, criando um estilo que ficou registrado nessa produção. Pretende utilizar esse mesmo recurso na atualização da novela? Acredita que o pastelão, falando mais especificamente sobre “tortas na cara”, ainda terá o mesmo impacto 30 anos depois?

Ainda não decidi com o Jorge Fernando se vamos conservar a retirada da quarta parede, ou seja, fazer os personagens dialogarem com o público. Na versão de 83 essa prática não começou no inicio da novela. Em Jogo da Vida, minha novela anterior, eu tinha usado pela primeira vez este recurso com o personagem Mariúcha, de Elizângela, que era uma vilã e fazia do público seu cúmplice. O resultado foi ótimo e resolvemos repetir a experiência quando sentimos que ficaria bom também na Guerra, e estávamos certos. Em a Incrível Batalha das Filhas da Mãe no Jardim do Éden usamos novamente esse recurso, mas a audiência não entendeu, se ressentiu. Talvez seja melhor esperar a audiência se firmar, para começar a brincar, ainda não sabemos. É evidente que o pastelão não terá o mesmo impacto que teve em 1983, porque já foi mais do que copiado e desgastado em várias outras novelas de muitos outros autores, mas acredito que completa bem o contexto do humor de Guerra dos Sexos e será conservado, assim como o gênero screwball comedy que permeia toda a trama.


Glória Pires será Roberta Leone na versão atualizada, papel que foi de Glória Menezes em 1983.


4. Você ficou chateado por não poder contar com alguns atores que estavam previamente escalados para fazer a novela? O que é mais importante na hora de escalar o elenco para uma produção como essa: O Physique du role do ator, a química com o par romântico, ou algum outro fator?

Não houve muitas baixas no elenco original proposto. Claudia Raia saiu por uma impossibilidade de gravar nos finais de semana, e acho que Luana Piovani é uma escalação à sua altura e está ótima como Vânia. Márcio Garcia seria um excelente Fábio, fotógrafo, apaixonado por Juliana, Mariana Ximenez, mas Paulo Rocha foi uma revelação em Fina Estampa e estou muito satisfeito que faça parte do elenco. Além deles, todos os outros personagens, 25 no total, foram preenchidos pelas nossas primeiras escolhas. O physique du role é super importante, mas não é tudo, veja o exemplo de Michelle Williams em Sete Dias com Marilyn. Ela não tem nada do físico de Marilyn Monroe e convence plenamente na tela. A química do par romântico é imprescindível, mas só vamos ver se funciona quando estiverem em cena. Acho que o que mais conta é o talento de cada um, a vontade, o empenho e a disponibilidade para fazer a novela. 
  

Marilu Bueno vai dar continuidade à Olívia, a fiel governanta
de Charlô, na versão de 1983.


5.  Quais os nomes confirmados para o elenco da novela até o momento?

Otávio - Tony Ramos; Charlô - Irene Ravache; Felipe - Edson Celulari; Juliana - Mariana Ximenez;  Analu - Raquel Bertami; Nando - Reynaldo Gianecchini; Olivia - Marilu Bueno; Vânia - Luana Piovani; Ulisses - Eriberto Leão; Afrodite - Mariana Armellini; Ronaldo – Jesus Luz; Dalete - Carol Rebelo; Roberta - Gloria Pires; Kiko - Johny Massaro; Fabio - Paulo Rocha; Manoela - Guilhermina Guinle; - Nieta - Drica Moraes; Dinorah - Fernando Eiras; Carolina - Bianca Bin; Nene Stallone - Daniel Boaventura; Veruska - Mayana Moura; Zenon - Tiago Rodrigues; Semíramis - Debora Olivieri; Montanha - Marcelo Barros.  


Eriberto Leão (Ulisses), Bianca Bin (Carolina), Drica Moraes (Nieta) e Marianna Armellini (Frô)
estarão no remake de Guerra dos Sexos.


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